Calcutá

Calcutá é o território sónico de Teresa Castro, compositora, multi-instrumentista e artista sonora sediada no Porto. Guitarrista clássica de formação, entrelaça linhas de folk, drone, ambient e música experimental. A sua voz, ora um lamento íntimo, ora um sopro prolongado, torna-se num instrumento que nos guia por espaços onde o tempo abranda e a escuta se aprofunda. Álbum de estreia “Soon After Dawn” (2026) navega em densidade, de canções, texturas ambient guitarra de blues, estranheza cristalina e sem pressas. E, para o palco do BONS SONS, prepara um espaço de escuta onde o som promete pôr o tempo em suspenso.

Sons do Lagar com Coro da Cura

Sons do Lagar e Coro da Cura são projetos musicais que têm em comum a recuperação e renovação da música tradicional portuguesa. Estabelecem uma ponte entre o património ancestral e as novas gerações, reafirmando a atualidade da música tradicional. No BONS SONS encontram-se para celebrar a riqueza do cancioneiro português mostrando que a música de raiz continua bem viva e cheia de futuro.

Cancioneiro de Benfica

O Cancioneiro de Benfica é o projeto central do novo mote da MPAGDP: gravar territórios para criar canções e regenerar coletivos. Em colaboração com a Junta de Freguesia de Benfica, a MPAGDP realiza semanalmente um levantamento audiovisual do território, cujos registos são depois trabalhados por um coletivo que lhes dá nova vida. O coro interpreta as músicas gravadas em diferentes lugares da freguesia, levando ao palco do BONS SONS o contexto e as viagens dessas canções. Estão ainda presentes dois artistas gravados, que partilham a origem das músicas cantadas pelo Coro de Benfica. O projeto inverte a lógica habitual entre amadores e profissionais, colocando a criação ao serviço do coro e abrindo espaço a uma nova forma de relação artística e comunitária.

A Quinta dos Animais

Publicado em 1945, “A Quinta dos Animais”, de George Orwell, é um texto político e satírico, mas também uma fábula sobre o modo como nos relacionamos com quem está à nossa volta? Soma-se a isso o velho tema do poder, de como pode ser irresistível e, em última análise, de como corrompe. Em tempos de incerteza e de medo, e enquanto assistimos a exercícios de poder ferozes, nada mais atual e transversal do que provocar uma discussão sobre quem manda. Quem manda aqui? Sendo o “aqui” um lugar de insatisfação, e se as crianças que vierem ver esta peça, aproveitando-se do teatro, se apropriarem da história? E se triunfarem? E se, por momentos, elas se tornarem as donas da quinta e nós, porcos que obedecem?

Líquen

Diz-nos a ciência que um líquen nasce da simbiose entre dois organismos, um fungo e uma alga ou bactéria. É um possível caminho para chegar ao projeto Líquen, de Constança Ochoa: um encontro entre género, sensibilidades e texturas electro-acústicas. Aqui, a poesia cruza-se com a polifonia, criando paisagens sonoras íntimas e inesperadas, um espaço onde tudo se mistura, respira e ganha novas formas.

E se no meio-ambiente são bons indicadores da qualidade do ar, em Cem Soldos, Líquen mede a respiração do encontro, um termómetro sensível da escuta, da partilha e da ligação entre corpos, vozes e lugares.

MXGPU

MXGPU, a fusão de Moullinex e GPU Panic, Luís Clara Gomes e Guilherme Tomé Ribeiro, chega ao BONS SONS com eletrónica que explora a humanidade e dissolve fronteiras entre palco e público. Com o álbum de estreia *Sudden Light* (2025) como guia, o duo transforma cada atuação numa experiência onde luz, emoção e precisão se cruzam, criando momentos de comunhão que elevam a mais comum pista de dança a um território artístico.