Cantadores de Paris, Autópsia de Uma Montagem

As canções viajam seguramente, viajam carregando o seu código genético, aquilo de que falam, de onde vêm, o que são. Trazem com elas paisagens, natureza, harmonias e melodias. Há canções que carregam a fome, o trabalho árduo, a força da vida e o suor de sol a sol. Outras lamentam o casamento e avisam amantes. Todas elas são partilhas e, em todas elas, podemos sentir culturas e formas de vida. As canções mesmo em diferentes línguas são universais no que embalam, no que sonham.
Em Paris criou-se um grupo de Cante Alentejano formado por pessoas que não são portuguesas e que não conhecem o Alentejo e a pergunta faz-se: Como se pode cantar uma cultura que não se conhece?
Depois de um período longo de idas e voltas a Paris e ao Alentejo, Tiago Pereira partilha o ato criativo de edição das dezenas de horas gravadas. Serão 50 minutos com sequências e ideias de montagem do filme que vai estrear em Novembro.

Valter Lobo

Valter Lobo, músico e advogado nortenho, apresenta-nos a sua viagem para o “Mediterrâneo”, o primeiro disco, onde faz uma reaproximação ao calor humano e ao mar, despido de materialismos e procurando sobreviver com os bens essenciais, entregando-se a uma vontade de sentir num propósito de mudança. Os concertos são de grande intimidade com o público tal como as canções que, com o português em punho, nos trazem uma sonoridade intensa armada de uma componente lírica muito rica que lhe são próprias e que o sugerem como um artista genuíno e um nome a seguir quando nos referimos aos novos grandes valores da música portuguesa.

Frankie Chavez

A música de Frankie Chavez reflecte as influências musicais que ficam das suas viagens. De guitarra em punho, assume o conceito “one man band” e o resultado é um blues/ folk composto por ambientes limpos e por outros mais crus e psicadélicos. Embora seja possível identificar o espírito de Robert Johnson, Jimi Hendrix, Kelly Joe Phelps e Ry Cooder, é difícil definir o seu som numa só palavra. O melhor é sentir. Em Agosto, no BONS SONS.

The Poppers

O rock’n’roll não passa de moda, não entra em desuso e, muito menos, morre. The Poppers são a prova viva disso mesmo, assumindo com orgulho a sua herança. Banda experiente, provocadora e intensa, é no palco que ganham a sua maior expressão. Com tanto de imprevisíveis como de perfeccionistas, The Poppers aliam continuamente a qualidade à espontaneidade. Em Janeiro de 2017, o colectivo lançou “Lucifer”, novo disco de originais, produzido por Paulo Furtado (The Legendary Tigerman/ WrayGunn).

Rodrigo Leão

Rodrigo Leão é um dos mais versáteis, inspirados e reconhecidos músicos portugueses. Em 2017 propõe um novo concerto em nome próprio, onde reencontra a sua veia mais pop, enérgica e leve, com o regresso da “trindade básica” de guitarra, bateria e baixo, acompanhada da voz de Ana Vieira, que gravou e tocou com Rodrigo entre 2004 e 2010. Uma formação de oito elementos interpretará uma mão-cheia de canções e de peças instrumentais que datam do grande êxito “Cinema”, mas também de discos como “A Montanha Mágica”, “A Mãe” e “A Vida Secreta das Máquinas”. As viagens e experiências de Rodrigo chegam à Aldeia em Agosto.

Octa Push

Os Octa Push são um projecto formado pelos irmãos Leo e Bruno que funde música lusófona (com ligações aos PALOP) e electrónica, tendo passado pelos palcos do Sonar Festival, Fabric, Amsterdam Dance Event e NOS Alive, entre muitos outros. O novo álbum, “Língua”, constitui uma homenagem à música lusófona feita nos últimos 40 anos, cruzando influências e ritmos contemporâneos e de diferentes latitudes, e conta com a participação de nomes como Tó Trips (Dead Combo), Batida, Cachupa Psicadélica, Ary (Blasted Mechanism), João Gomes (Orelha Negra),Braima Galissa e Gospel Collective

Marco Luz

​A respiração de Marco Luz sente-se nas suas gravações. É ela que acompanha os dedos, à guitarra, numa orgânica surpreendente. Ao passar, de forma subtil, entre o acústico e a electricidade, a sua música toca-nos a pele e entra-nos directamente nos pulmões, para que respiremos com ele. O disco de estreia, “Cores”, mostra um músico que compõe e grava sem pressas, colocando em cada tema as medidas exactas de despojamento e virtuosismo.

MEDEIROS / LUCAS

MEDEIROS/LUCAS junta Pedro Lucas e Carlos Medeiros na construção de uma nova topografia da música popular portuguesa. O último álbum editado em Março de 2016, “Terra do Corpo” assenta na dialéctica entre os textos inéditos de João Pedro Porto e a música original de Pedro Lucas: constroem as paisagens emocionais do Homem, em luta com o seu papel social, a sua dimensão pessoal e sua responsabilidade na construção do presente e futuro das sociedades. Mostra também dois açorianos cada vez mais desancorados da música tradicional, sem perderem de vista o referencial que tem insuflado o seu percurso.

Mão Morta

Passados 25 anos sobre a edição de Mutantes S21, os Mão Morta apresentam um concerto de celebração desse álbum que trouxe a banda para a ribalta da música portuguesa. Serão apresentados em concerto todos os temas do álbum, incluindo 3 nunca tocados ao vivo e outros 6 seleccionados pela banda, tendo por base letras que remetem para ambientes urbanos, relatando histórias de cidades. Um evento que vai muito para além da reposição nostálgica e coloca em evidência a capacidade de reinvenção dos Mão Morta.

Né Ladeiras

Personalidade icónica da música portuguesa, Né Ladeiras rejeita todos os rótulos e partilha o seu talento apenas quando sente ter algo de novo a dizer. É de um desses longos silêncios que nascem o novo disco e o novo espectáculo de Né. “Outras Vidas” constitui uma viagem por todas as mulheres que já foi e que formaram a que agora afirma: “sinto vontade de chorar e no entanto sei que jamais fui assim tão feliz”. O seu som é, ao mesmo tempo, tradicional e urbano, com um olho na tradição e o outro no futuro, guiado por essa voz cristalina que nos enfeitiça desde os tempos da Brigada Victor Jara.