Manuel Fúria e os Náufragos

Manuel Fúria, artista português, é um quase cantor, do mesmo modo que poderíamos qualificar Padre António Vieira como um quase escritor. Começa a sua actividade como cabeça d’ Os Golpes e da Amor Fúria, Companhia de Discos do Campo Grande, fundada em 2007, responsável pelo cruzamento pródigo entre o rock e a música tradicional portuguesa. Dessa fase destacam-se canções como “A Marcha dos Golpes” ou “Vá Lá Senhora”, em dueto com Rui Pregal da Cunha, dos Heróis do Mar. No seu percurso a solo (na companhia dos Náufragos) destaca-se o denso e conceptual “Manuel Fúria Contempla Os Lírios do Campo”, de 2013. Do novo álbum, “Viva Fúria” já podemos ouvir “Nova”, “20.000 Naves” e, mais recentemente, “Aquele Grande Rio”.

Surma

Débora Umbelino é original de Leiria mas o que nos traz vem de locais bem mais exóticos. Surma, é o seu projecto one-woman-band, onde domina teclas, samplers, cordas, vozes e loop stations em sonoridades que fogem do jazz para o post-rock, da electrónica para o noise e nos levam para paragens mais ou menos incertas, com paisagens desconhecidas e muito prazer na viagem.

Holy Nothing

Os Holy Nothing, chegam do Porto e desde 2013 que se movimentam pelos caminhos infinitos da música electrónica. A banda mistura projeções com sintetizadores, sustenta a palavra com imagens impactantes, funde música e cinema numa realidade expressiva complexa e cria um ambiente especial para os seus concertos. Depois de apresentarem o álbum Hypertext em festivais como Primavera Sound ou SXSW (Austin, Texas), o projeto prepara a sua ida ao Eurosonic 2017 em Groningen. O segundo álbum está prometido para 2017.

Glockenwise

Ao terceiro álbum, “Heat” (2015) o quarteto barcelense migrou de um rock’n’roll puro e enérgico, próximo do garage-rock, para uma sonoridade mais densa e complexa, onde se faz sentir a influência da cena indie dos anos 80 – não por acaso, o vocalista Nuno Rodrigues referiu-se aos “Smiths da Califórnia”. Para tal, recorreram a órgãos vintage e à manipulação de ruído na produção, mas é sobretudo no tom, mais pessoal e sombrio, que a nova musicalidade dos Glockenwise se revela em pleno. É o disco da idade adulta de uma das mais interessantes bandas portuguesas do momento.

Virgem Suta

Os Virgem Suta afirmaram-se no panorama musical português através de duas guitarras, da voz, da quase “ousadia” de uma mão cheia de canções e das vezes sem conta que fizeram o País de Sul a Norte e de Norte a Sul.
Nuno Figueiredo e Jorge Benvinda transpiram portugalidade e assumem-no. Mas são tão contemporâneos que a raiz portuguesa só lá está porque não têm outro remédio. Tocam adufe e cavaquinho porque é isso que lhes é natural e a isto aliam uma ironia que ainda mais contribui para a sua singularidade.

Capitão Fausto

Tomás Wallenstein, Domingos Coimbra, Francisco Ferreira, Manuel Palha e Salvador Seabra são os Capitão Fausto e editaram 3 álbuns: “Gazela” (2011), “Pesar o Sol” (2014) e “Capitão Fausto Têm os Dias Contados” (2016). No registo mais recente, com canções entre o rock e a pop, a banda dá mais espaço aos metais e aos instrumentos de sopro, sem descurar as guitarras. Mas o que revelam, acima de tudo, é uma cada vez maior maturidade: na capacidade lírica, na complexidade melodias, no rigor técnico e na inspiração instrumental. Uns Capitão cada vez mais em comando da sua arte.

Throes + The Shine

Os Throes + The Shine, oriundos do Porto e de Luanda, englobam aventura e vitalidade. Usam cada grama da sua criatividade para originar algo singular, que se concentra numa energia completamente efusiva em palco. A sua génese funde kuduro e rock, mas alargou os seus horizontes para albergar uma multitude de culturas que pode ir de África à Europa ou da América do Sul aos Estados Unidos. Três álbuns (o último dos quais produzido por Moullinex) e uma presença regular nos palcos europeus depois, vêm ao mundo do BONS SONS.

Thunder & Co.

Os Thunder & Co. são uma banda de música de dança a atirar para o emocional cujo som é caracterizado pelas batidas balançantes envoltas em acordes tristonhos e ambientes tensos. Pelo menos é o que tem saído da fábrica de trovões em Lisboa, propriedade de Rodrigo Gomes e Sebastião Teixeira. Actualmente, a banda é uma referência nos valores emergentes da música portuguesa, com um registo sonoro único e emocional, marcado por ritmos dançantes e contagiantes.

Keep Razors Sharp

Keep Razors Sharp são Afonso (Sean Riley & The Slowriders), Rai (The Poppers), Bráulio (ex-Capitão Fantasma) e Bibi (Pernas de Alicate, entre outros). Com uma sonoridade entre o psicadelismo, o shoegaze e o pós-rock, os dois singles de estreia “I See Your Face” e “9th” tornaram-se sucessos radiofónicos do álbum de estreia homónimo.

Carminho

Filha de fadista, Carminho passou a infância rodeada de ícones da música portuguesa. Tem tido os seus sucessivos álbuns em lugares de destaque nas tabelas de vendas nacionais e internacionais. Dona de uma voz inconfundível, busca continuamente novas sonoridades que a levam a inúmeras colaborações com outros artistas como Pablo Alborán, Milton Nascimento, Chico Buarque e Marisa Monte. O seu mais recente disco “Canto” é uma das maiores surpresas no panorama do fado e confirma o futuro do seu sucesso.