Natércia Lameiro é multi-instrumentista, compositora, cantora e professora de dança, que cruza a tradição com influências da música do mundo. Com mais de 15 anos de experiência, trabalhou com artistas como Luísa Sobral, Mário Laginha, Naragonia e Alejandro Ruiz. Marcou presença em festivais nacionais, levando também a sua música a vários países europeus.
No Palco Rosa Ramalho promete ligar-nos à música que fica para lá das fronteiras geográficas e do nosso imaginário.
800 Gondomar, de Rio Tinto, são um tour-de-force de rock garageiro e distorcido, infame pelas suas performances enérgicas e disruptivas, movidas por canções fortes, que misturam o caos barulhento do presente com um revivalismo muito particular. Exploram os símbolos de pertença da sua rotina suburbana, aplicando-os de forma universal e acutilante na sua música e na urgência das suas atuações. São fios-condutores tão pertinentes para a libertação de uma energia caótica, como para um terno primeiro beijo, e mais do que isto não se pode desejar para uma primeira noite de campismo em Cem Soldos.
O espetáculo é concebido para contextos rurais, curraladas e aldeias, destinado a pequenos grupos de público, proporcionando uma experiência intimista e envolvente. Destina-se especialmente a quem vive em contacto com a natureza e com os animais, permitindo que o público se conecte com o território e com a vida que o habita.
Trata-se de uma proposta itinerante, inspirada nas artes de rua e na tradição popular, que valoriza o encontro entre artistas e comunidade, levando a arte diretamente ao território e oferecendo uma experiência sensorial e participativa.
ACID ACID é uma viagem cósmica, psicadélica e meditativa. Música instrumental criada por Tiago Castro, com guitarra e diversos sintetizadores em formato banda de um homem só (mas por vezes com convidados). É música de camadas, com texturas sobre texturas, com o objetivo de criar uma uma meditação coletiva para quem assiste. Há inspiração na psicadélica das décadas de 1960 e 70 e também nas inúmeras experiências sónicas do movimento krautrock desse período, em particular o lado mais ambiental e espacial. Viagens estelares que aterram em Cem Soldos e fazem da aldeia um laboratório de exploração sonora.
Publicado em 1945, “A Quinta dos Animais”, de George Orwell, é um texto político e satírico, mas também uma fábula sobre o modo como nos relacionamos com quem está à nossa volta? Soma-se a isso o velho tema do poder, de como pode ser irresistível e, em última análise, de como corrompe. Em tempos de incerteza e de medo, e enquanto assistimos a exercícios de poder ferozes, nada mais atual e transversal do que provocar uma discussão sobre quem manda. Quem manda aqui? Sendo o “aqui” um lugar de insatisfação, e se as crianças que vierem ver esta peça, aproveitando-se do teatro, se apropriarem da história? E se triunfarem? E se, por momentos, elas se tornarem as donas da quinta e nós, porcos que obedecem?