Luca Argel e Tânia Graça têm uma conversa descontraída sobre a situação do homem nos dias de hoje. Estará a masculinidade (de novo) em crise? Por que os comportamentos tóxicos e de risco são tão comuns entre homens? Faltam boas referências masculinas para os rapazes? Entre perguntas, histórias e inquietações, estarão em jogo as perspectivas de um artista e de uma psicóloga sobre o assunto.
Edição: 2026
Um país morto não pode fazer uma cultura viva
A Fundação José Saramago traz ao BONS SONS uma conversa com Patrícia Portela (escritora e programadora cultural) e Sérgio Machado Letria (diretor-executivo da FJS), com moderação de Ricardo Viel, sobre a cultura como ato de Resistência, sobre as desigualdades sociais e culturais no nosso país, sobre José Saramago e a importância da intervenção cultural na sociedade contemporânea.
Ainda há esperança para o coletivo?
Num contexto cada vez mais marcado pelo individualismo e pela fragmentação social, importa olhar para os espaços onde continuamos a encontrar-nos, organizar-nos e cuidar uns dos outros. Dos coletivos culturais às associações locais, dos movimentos cívicos aos lugares de encontro informal, esta conversa procura perceber de que forma a vida em comunidade continua a ser uma força de resistência.
Há diversidade de vozes no espaço público?
Nem todas as pessoas ocupam o espaço comum da mesma forma. Algumas continuam a ser invisibilizadas, sub-representadas ou excluídas dos lugares onde se tomam decisões e se constroem narrativas coletivas. Esta conversa procura refletir sobre identidade, representação e pertença, questionando quem tem voz, quem continua a ser ignorado e o que significa existir plenamente numa sociedade democrática.
Há verdadeira liberdade para a criação artística?
Criar é um ato de liberdade, mas também de confronto com o tempo em que vivemos. Mais do que discutir obras acabadas, interessa-nos perceber como nasce uma ideia e de que forma a arte continua a abrir espaço para questionar, imaginar e transformar. Esta conversa será gravada ao vivo como um episódio de Dedo Invisível, o podcast do Gerador que dá voz aos profissionais que fazem acontecer a cultura em Portugal.
Podemos olhar para o futuro com otimismo?
Num tempo marcado pela crise climática, pela incerteza económica e pela transformação acelerada das sociedades, esta conversa procura perceber de que forma as novas gerações continuam a imaginar o futuro. Falamos de responsabilidade, sustentabilidade, mas também da capacidade de continuar a agir quando as respostas parecem insuficientes. Porque resistir pode ser, simplesmente, recusar a ideia de que o futuro já está decidido.
O que esconde a Aldeia
Esta atividade envolve caça ao tesouro e dinâmicas de grupo, com o objetivo de criar interação entre as crianças participantes e a comunidade envolvente. A população-alvo direta são crianças a partir dos 4 anos, que podem participar em família ou individualmente.
Num primeiro momento crianças e famílias serão convidadas a participar das dinâmicas sugeridas e dinamizadas em grande grupo.
No momento seguinte, serão definidos grupos. Cada grupo deve andar pela aldeia à procura de tijolos de barro que devem trazer e partir, encontrando nestes os desafios seguintes. Nestes desafios, deverão responder às perguntas encontradas, procurando as respostas junto das pessoas da aldeia/festival.
Finalmente, com o megafone à disposição, faremos uma pequena arruada pela aldeia, dizendo poemas, charadas ou rimas.
Assim, tentamos de forma lúdica e pedagógica animar pessoas e momentos, criando interação e laços intergeracionais.
Oficina de Canto e Toque Coletivo
Esta oficina convida descobrir o poder do canto coletivo e do adufe, um instrumento tradicional português profundamente ligado às vozes e às práticas comunitárias. Através da aprendizagem de repertório tradicional e de autor. de exercícios de voz, ritmo e escuta, cria-se um espaço de encontro onde a música se torna uma ferramenta de expressão, pertença e partilha. Aberta a pessoas de todas as idades e sem necessidade de experiência prévia.
Okupamos Cem Soldos
E se ocupássemos a aldeia com ideias de todos os tamanhos?
Um espaço que muda a cada chegada, meio atelier, meio playground, onde se constrói, desmonta e transforma sem plano fechado.
Com tecidos, cordas, cartão e peças modulares, tudo pode surgir: uma sombra para descansar, um sítio para conversar, uma praceta, um abrigo… ou algo que ainda não tem nome. Cada gesto conta, cada pessoa altera o que já lá estava.
O que faz um bom lugar para estar junt*s?
O que acontece quando ocupamos um espaço não para fechar, mas para abrir?
Como se constrói um encontro?
Vamos descobrir, mãos à obra. Entra-se, mexe-se, cria-se, fica-se o tempo que apetecer. No fim, não há obra fixa! Só um conjunto de estruturas, gestos e lugares de encontro que aparecem e desaparecem ao longo do festival.
O Dragão Maria João
E se uma aldeia começasse, pouco a pouco, a ser habitada por criaturas que ninguém planeou… mas que toda a gente ajudou a criar?
Propomos uma oficina de construção coletiva de dragões e bichos inventados que vão surgindo ao longo dos dias e espalhando-se pela aldeia, ocupando esquinas, varandas, árvores ou muros, como se sempre lá tivessem estado — ou como se tivessem decidido aparecer sem pedir autorização.
Inspirados pelo espírito irreverente do dragão do DAMS de Bolonha durante as manifestações de Movimentos estudantis de 1977 em Itália, estes corpos coletivos nascem do improviso, do humor e da vontade de ocupar o espaço de forma inesperada. Não são monumentos nem esculturas acabadas, mas presenças mutantes que crescem com cada pessoa que decide acrescentar um pedaço, uma ideia ou um gesto.
Estes bichos não pedem para ser compreendidos – apenas para existir, circular e, talvez, baralhar ligeiramente a ordem das coisas. Ao aparecerem em grupo, dispersos e meio desorganizados, criam uma espécie de narrativa invisível que liga diferentes pontos da aldeia, como um rasto de imaginação partilhada.
No fim, ninguém sabe bem onde começa ou acaba cada criatura, nem a quem pertence.
Construir algo em conjunto que escapa ao controle individual, que se infiltra na festa e não fica para sempre.