Área: Dança
Nem a própria ruína
Francisco Pinho, João Dinis Pinho e Dinis Santos propõem Nem a Própria Ruína , o primeiro espetáculo do trio nortenho e que tem como base o álbum de 1978 10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte de José Cid. Um espetáculo que se foca na efemeridade humana, no nosso desaparecimento e nos gestos e abraços que, na ruína, são as formas de nos salvar.
Coexistimos
Coexistimos, de Inês Campos, é uma das propostas de espetáculos de dança este ano e trata-se de uma colagem de metáforas sobre o desafio de se ser tantos. Ser o tigre, o domador, o palhaço triste e o ataque de riso, viver vários corpos e ser a realidade dos seus sonhos. Uma experiência que aglomera dança, teatro, cinema, manipulação de objectos e artifícios variados que tentam criar uma sucessão de ilusões.
Danza Ricercata
Em Danza Ricercata, de Tânia Carvalho, contrasta-se a ideia de improviso a que estamos habituados no que toca a dança com a ideia de movimentos coreografados que são exagerados ou reduzidos dependendo do que a música pede. Um piano, um compositor, uma música, uma pianista, uma coreógrafa, uma bailarina, uma dança.
UM [unimal]
UM [unimal] é um solo que é desenvolvido a partir da ideia de sobrevivência, que neste caso se materializa através da fisicalidade da Marcha. Trabalha-se a noção de corpo arquivo e de corpo que carrega uma história através da dança. A Marcha desdobra-se em diversos movimentos que derivam do caminhar e que se revelam no binómio danças de resistência/resistência na dança. Através de comandos e instruções ao vivo, transmitidas à intérprete durante toda a peça, por sistema in ear, colocam-se em causa conceitos como autoria, autoridade, liberdade e liderança.
Classe do Jaime
O nome deste projecto nasce no linguajar típico de Minde, em que não existe palavra para dança, apenas para baile — Classe do Jaime ou O-do-Barreiro. Nele, dois bailarinos vão ao encontro de grupos de dança folclórica da região das Serras d’Aire e Candeeiros e propõem um método para aprendizagem do vocabulário tradicional.
Classe do Jaime é um dueto que se desenha como uma coreografia de composição etimológica, em que se restauram os conceitos de peso e erotismo, colocando perguntas de um lado para o outro — o que pergunta a dança tradicional à dança contemporânea?
Sacro
“O que nos move? Como nos movemos? E para onde nos movemos?” Estão são as questões fundamentais de Sacro, que procuram uma resposta através de uma pesquisa que explora o mecanismo de caminhar e do movimento respiratório no corpo humano. No sentido lato da palavra “mover”, esta peça foca-se na forma como caminhamos, avançamos e recuamos hoje em dia e nas relações que o corpo humano espelha com os seus antepassados e que fabulações ou projeções fazemos com o futuro.
JUNGLE RED
JUNGLE RED ou DER ELGNUJ, um argumento ornitológico (título provisório) é uma experiência prévia de um projecto futuro. O seu pressuposto assenta na ideia de transmissão autoral, a sua apropriação e ressignificação. Conta com a participação de diversas pessoas para transmitirem à autora um minuto de uma ideia, sequência de movimento, imagem em movimento ou cénica, um universo sonoro, que serão posteriormente transformadas em algo seu, do seu corpo, com um tempo e características outras, fazendo o todo da composição coreográfica.
Outro em mim que eu ignoro
Um corpo que pretende explorar e perceber tudo aquilo que ignora, algo que desconhece, procurando uma outra densidade paralela. Um debate sobre o próprio corpo, sobre as suas características, sobre a personalidade que o veste, aspetos que pretenderia esquecer, ocultar, e que, contudo, perduram e incontrolavelmente emergem, expondo-se paradoxalmente a uma larga escala, que quem convive com esse corpo deliberadamente conserva. Um breve estudo sobre o Homem e o meio social, numa microescala, sem esquecer parte do que somos.
Os Serrenhos do Caldeirão
Trabalho elaborado no âmbito do Festival Encontros do Devir, da DeVIR, em torno da desertificação/desumanização da Serra do Caldeirão, no Algarve. É um olhar sobre práticas de vida tradicionais e rurais em geral, conhecimentos das culturas orais de norte a sul do país.
Com este retrato alargado dos Serrenhos do Caldeirão, Vera Mantero fala de povos que possuem uma sabedoria que perdemos, uma sabedoria na ligação entre corpo e espírito, entre quotidiano e arte. Mas é uma sabedoria que podemos (e devemos, para nosso bem) reactivar.